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Presidente da Associação Comercial de São Paulo
O cidadão paulistano Alencar Burti poderia estar apenas usufruindo dos resultados positivos alcançados ao longo de mais de 60 anos de trabalho. Contudo, optou por encarar os novos e complexos desafios que lhe são impostos pela presidência da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), além da participação em conselhos de mais de uma dezena de entidades empresariais, assistenciais e filantrópicas.
"Tudo pode ser feito melhor do que já foi feito". Jan Wiegerinck nasceu em Gelre, na Holanda em 1927 e chegou ao Brasil em 1955. É bacharel em direito (Universidade Nimega/Holanda) e pós-graduado em administração de empresas (FGV/SP). Ao chegar no Brasil trabalhou no Banco Holandês Unido, até se arriscar em ter ser próprio negócio. Naturalizou-se brasileiro e fundou, em 1963, a Organização Gelre, da qual é presidente. Desde então, conviveu com um país que passou por dezenas de transformações. Nesses 46 anos, ele já contratou mais de quatro milhões de pessoas, o que o coloca entre os maiores empregadores do país. A Gelre é uma empresa inovadora que nasceu de um ideal de seu fundador — recrutamento para trabalho temporário ou terceirizado. Hoje, cerca de 30 mil funcionários têm sua carteira de trabalho assinada pela Gelre. Essa é uma demonstração dos propósitos de Jan, que oferece oportunidades ao cidadão, combatendo o preconceito e a discriminação. Segundo ele, há pessoas que depois de certa idade não conseguem mais emprego apesar da competência profissional e da experiência. “A expressão terceira idade é rejeitada por muitos. Pessoalmente, também não gosto dela, mas pode ser útil dividir o curso da vida em fases. A vida é um processo e há diferenças entre as diversas fases. Shakespeare dividiu a vida em sete fases: infância, escolar, amante, soldado, general, estadista e sábio. É uma divisão poética que tem sentido, mas não é prática. A realidade é que em toda a história da humanidade três gerações convivem: jovens, adultos e velhos. Considerando a expectativa atual de vida, cada grupo representa 33 anos. Até os 33, a pessoa pertence ao grupo dos jovens, de 34 a 67 anos, ao grupo dos adultos. A partir daí, aos velhos. A terceira geração é a terceira idade. Na minha visão faz sentido, mas é estranho não se falar da primeira e segunda idade”. Balzac escreveu ’o homem morre por primeira vez quando perde o entusiasmo’. Vejo o trabalho como um meio para alimentar nosso entusiasmo. Enquanto vivemos temos uma missão. Estamos no mundo não para vegetar, mas para participar ativamente. Não é importante pensar sobre quanto tempo ainda temos para viver, mas sim nos concentrarmos na importância de nossa contribuição para o bem estar dos demais membros da sociedade. Por todos estes aspectos minha resposta à pergunta se a pessoa na terceira idade deve trabalhar é sim, quando possível. Sob o ponto de vista individual o desejo ou a necessidade de autorrealização é central para o entendimento, porque é útil o trabalho em todas as idades. Para Maslow a autorrealização se dá quando a pessoa se torna, de fato, aquilo que é em potencial. Ortega y Gasset escreve: ’Todo ser é feliz quando cumpre seu destino. Quando está sendo o que em verdade é’. Mas não quero afirmar que o ser humano só se realiza no trabalho. Apesar de o trabalho ser necessário ao ser humano, ele não foi feito para trabalhar. E nem é trabalhar a finalidade de sua existência. Escreveu Rousseau: ‘a profissão do homem é viver’. Jesus José Bales Jesus José Bales hoje é Presidente do Sinpait. Seus primeiros passos acadêmicos e “profissionais” foram dados na cidade de Pompéia, no interior de São Paulo. No mercado de trabalho começou “varrendo” um escritório de advocacia. Foi auxiliar e, posteriormente, escrevente de cartório, onde trabalhou durante 09 anos. Nessa mesma cidade, no Colégio Bandeirantes, iniciou, aos 22 anos, seu curso ginasial. Acabou por mudar para São Paulo de vez que aprovado em concurso, foi nomeado escriturário do Banco do Brasil. Iniciou seu curso de Contabilidade na Escola Álvares Penteado, que se encerrou no SENAC, em Marília. Foi aprovado no concurso de Fiscal da Receita Estadual, sendo classificado nos primeiros lugares, mas não tomou posse. Aprovado no concurso para Fiscal do Trabalho, assumiu o cargo em julho de 1975, ali permanecendo durante 29 anos, até a aposentadoria. Este é o seu depoimento: “Comecei a trabalhar aos 12 anos de idade, tão logo terminei o chamado ‘grupo escolar’ da época”. Filho de família pobre e humilde e residindo em cidade pequena, onde não havia ginásio, não pude estudar em outro lugar, por falta de recursos. Assim, fui para o mercado de trabalho, muito cedo.
Desde pequeno aprendi com meus pais que, com o trabalho aprendemos a dar valor a todas as outras coisas da vida. Ainda com 08 anos ajudava minha mãe na limpeza da casa, porque ela precisava costurar, para ajudar o meu pai na manutenção da família. Nem meu pai, nem minha mãe, jamais tiveram um emprego com carteira assinada. Então, o pouco de dinheiro que entrava em casa era fruto de trabalho de cada um. Minha mãe em sua velha máquina “singer”, e meu pai procurando serviços esporádicos, a fim de trazer uns “trocados” para casa.
Já, com 40 anos, ingressei no serviço público federal, onde aguardei minha aposentadoria compulsória, porém, jamais deixei de exercer outra atividade, ainda que não remunerada. Na verdade, mesmo após a aposentadoria, continuei a fazer o que sempre fiz: prestar serviços desinteressados à sociedade.
Meu desejo é que possa exercer qualquer atividade que seja, até que minhas condições de saúde o permitam.
Pela experiência que tenho, quando a pessoa pára de uma vez de trabalhar, as doenças começam a chegar. Entendo que todos devem exercer qualquer atividade até que suas forças o permitam; fico muito preocupado quando vejo colegas, ainda no vigor da idade, solicitando sua aposentadoria.
Entendo que a sociedade como um todo vem se tornando cada vez mais “individualista”. Caso essa situação não sofra uma mudança radical, em pouco tempo não teremos mais “voluntários” para trabalhar para a sociedade. Por isso, desejo que todos tenham sempre uma fé inquebrantável em tudo de bom que almejem na vida. Nunca esmoreçam. Busquem sempre fazer as coisas bem feitas, com idealismo, querendo sempre alcançar a perfeição. Mas, sem nunca perder a humildade, a simplicidade, a feição por todas as pessoas do convívio próximo. “O trabalho nos faz felizes e otimistas, mesmo porque é a razão de nossa existência”. João Batista Inocentini Presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados
Raphael Martinelli
Atualmente é Presidente do Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo. Sua missão nesse Fórum teve início em 2001, quando ele já completara 77 anos. O Fórum Permanente dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Estado de São Paulo foi criado para lutar pela reparação das injustiças e contra os desmandos, a impunidade e o esquecimento dos atos praticados pela ditadura. Raphael dá ao trabalho um valor fundamental na formação moral, na disciplina e autossuficiência e faz o seguinte depoimento: “Nasci em 1924 na cidade de São Paulo em uma família operária. Meu pai, descendente de estrangeiros, trabalhou como pintor desde 1910 na Estrada de Ferro São Paulo Railway. Casou-se com uma italiana, e teve 8 filhos, sendo 7 do sexo masculino. A preocupação deles foi a de transmitir a todos nós, seus filhos, a responsabilidade perante a sociedade e o valor do trabalho. Para complementar o salário baixo meu pai caçava pacas, capivaras, tatus e veados e mantinha no terreno de casa uma horta e criação de galinhas e cabras. Tudo isso era cuidado pela minha mãe, pelo meu pai em suas horas de folga e nos fins de semana, com a ajuda de todos nós, os filhos que, apesar de crianças sabíamos a importância da cooperação.
Comecei a trabalhar quando tinha apenas 12 anos e hoje com 85 ainda sinto o prazer de ser útil à sociedade. Em 1938, trabalhei como aprendiz na fábrica de produtos químicos Sucuri, em 1939 trabalhei como portador na vidraçaria Santa Marina.. Entrei, então, na fábrica de Artefatos de Aço Tupi, como ajudante de ferreiro e lá permaneci até 25 de maio de 1941, quando ingressei na Estrada de Ferro São Paulo Railway como aprendiz de escritório 5ª categoria. Foi nessa empresa que permaneci até 1964 quando fui cassado por 10 anos pela ditadura militar. De 1968 a 1970 trabalhei na Cooperativa União Sindical Habitacional. Fui preso Político 1970 a 1973. De 1973 a 1978 atuei como relações públicas do Grupo Norte-Nordeste – Transporte Rodoviário. Formei-me advogado em 1978 e atuei como agente comercial no Expresso Jundiaí até1979.
Além do trabalho profissional, sempre participei do trabalho voluntário, solidário: Diretor do Sindicato dos Trabalhadores Ferroviários 1952/1955 – Gerente da Cooperativa de Consumo dos Ferroviários - Estrada de Ferro Santos a Jundiaí 1955/1958; presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores Ferroviários – 1959 a 1964. Não mudei radicalmente do ramo de atividade após 1964 (tinha 40 anos). Pelo contrário, continuei a luta pela democracia e contra a ditadura. Nas minhas atividades profissionais como ferroviário, quando trabalhava há mais de 38 anos, cheguei a pensar, em parar aos 62 anos. Entretanto estou na ativa até hoje e quero continuar trabalhando pela justiça a ser dada a todos os patriotas que lutaram contra a ditadura.
Ozires Silva, oficial da Aeronáutica e engenheiro formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), é uma personalidade singular e um exemplo de dever cumprido. Os 78 anos de sua vida transcorreram em meio a grandes realizações. O entusiasmo, a inteligência, a competência e a determinação de Ozires Silva o levaram a galgar degraus cada vez mais altos, mantendo-o em evidência e atividade até mesmo depois da idade em que a maioria das pessoas prefere sair do mercado de trabalho, aposentando-se e vivendo com aquilo que recebe da previdência.
É descendente de uma família de classe média do interior de São Paulo. Ozires nasceu no dia 8 de janeiro de 1931. Estudou no Ginásio do Estado em Bauru. Era ainda muito jovem quando se interessou pela aviação. Inicialmente suas atenções se voltaram para o aeromodelismo. Com alguns companheiros de sua idade, após as aulas do ginásio, se empenhava na construção de pequenos modelos de aviões baseados em plantas daqueles empregados nas frentes de combate da II Guerra Mundial. Esse foi o ponto de partida para o homem que liderou em 1970 o grupo que promoveu a criação da EMBRAER uma das maiores empresas aeroespaciais do mundo e a construção do primeiro avião —”Bandeirante”. Dava-se, assim, início à produção industrial de aviões no Brasil. Sua ousadia, perseverança e astúcia fizeram com que o Brasil pulasse o fosso tecnológico que o separava de outros países que participavam da corrida aeronáutica e ganhasse a confiança mundial. Ele e sua equipe viabilizaram missões empresariais para diversos países oferecendo produtos altamente competitivos.
Ozires Silva presidiu a empresa até 1986, quando aceitou o desafio de ser presidente da Petrobras, onde atuou até 1989. Em 1990, assumiu o Ministério da Infraestrutura e, em 1991, retornou à Embraer, desempenhando um papel importante na condução do processo de privatização da empresa, concluído em 1994.
Também atuou como presidente da Varig por três anos (2000-2003) e criou em 2003 a Pele Nova Biotecnologia, primeiro fruto da Academia Brasileira de Estudos Avançados, empresa focada em saúde humana cuja missão é a pesquisa, desenvolvimento e produção de tecnologias inovadoras na área de regeneração e engenharia tecidual. Ozires Silva também fez parte de uma série de Conselhos e de Associações de Classe. Destacou-se, ainda, como presidente da Petrobras e professor do ITA na cadeira de Ensaios em Vôo.
É esse empreendedor que transmite a mensagem de que é possível superar dificuldades e atingir objetivos em todas as etapas da vida:
“Comecei a trabalhar muito cedo, aprendendo datilografia e redigindo cartas para fornecedores da pequena loja de artigos elétricos do meu pai. Minha família, sempre voltada ao trabalho, manteve-se buscando cumprir suas responsabilidades perante terceiros e a comunidade. Meu mundo era Bauru, no interior do Estado de S.Paulo, aonde, convivendo com o Aeroclube local, comecei a moldar a vocação que afinal empolgou praticamente toda a vida, a de fabricar aviões. Consegui, via concurso público, ingressar na Força Aérea Brasileira, dando partida no meu sonho, inicialmente formando-me Piloto Militar e Oficial da FAB. Morei em Belém, onde pude voar no Correio da Fronteira e conhecer bastante a Amazônia. Chamo àquele período da vida de “Escola de Brasil”, o que nos anos futuros ajudou a encontrar soluções para impasses difíceis de serem superados.
Meu pai era eletricista e, em razão de trabalhar, sobretudo em residências, formou expressivo círculo de amizades, viveu até 84 anos. Como ele, eu também quero trabalhar ininterruptamente desde que a saúde o permita. O que mudou agora foi o desejo de, antes de parar eu possa contribuir de algum modo para o progresso e desenvolvimento do sistema brasileiro de educação.
Sempre admirei trabalhos voluntários e, sempre que possível, procurei exercê-lo. Nessa direção, e com o avanço da idade, ganhei certo êxito com palestras, contando histórias e eventos dos quais participei com intensidade nos mais diferentes locais que trabalhei e morei com minha família. Olhando para trás, sinto o quanto foi importante, desde cedo e na juventude, encontrar a certeza do que gostaria de fazer, embora os alvos que visava, na época, pareciam distantes e mesmo impossíveis. Creio que cada um de nós precisa encontrar seu caminho, manter o foco das aspirações, estabelecendo metas e que possam estar ligadas ao que se deseja como resultado de uma vida, que pode ser longa. O desenvolvimento e progresso pessoais, acoplados ao êxito obtido com os empreendimentos, empresas e pessoas, para o bem estar da sociedade, tornam-se partes importantes para produzir recordações e alegrias de momentos que valeram a pena serem vividos.”
Encerrando seu depoimento, Ozires Silva aconselha a todos:
”Não parem; dediquem-se sempre, conscientes que, desde o nascimento, envelhecemos progressivamente. Não são os anos que nos tornam velhos, mas a idéia de ficarmos velhos.”
Rosina D´Angina Rosina D´Angina (Rosina Ilda Maria D´Angina) é jornalista, química industrial, escritora, tradutora, editora, fotógrafa e artista plástica. Nasceu em São Paulo, no dia 7 de janeiro de 1932 em um local histórico: Ladeira da Memória. Rosina formou-se em Jornalismo pela Escola de Jornalismo Cásper Líbero da Pontifícia Universidade Católica em1964 e em Química Industrial em 1951 pelo Colégio Dante Alighieri onde cursou também o segundo grau. Depois de ter exercido a profissão de química, com especialização em tintas e corantes, saltou para o jornalismo trocando as exatas pelas humanas. Atualmente é prestadora de serviços para a Serasa Experian programando, coordenando e editando uma publicação especializada em Tecnologia de Crédito. Há 12 anos, vem se dedicando concomitantemente à arte, realizando exposições nacionais e internacionais de pintura e escultura sempre voltada para a ecologia e os mistérios do Universo. Em 2008 foi premiada pela Bienal Internacional de Roma (Itália) e, neste ano de 2009 recebeu a láurea (medalha de prata) da Société Académique - Arts Sciences e Lettres de Paris (França), pela aprovação da Commision Supérieure dês Récompenses pelo seu trabalho como pintora e escultora na defesa da vida em nosso planeta.
“O objetivo deste meu depoimento é mostrar que o indivíduo considerado idoso após os 60 anos pode e deve continuar integrado à sociedade, seja exercendo sua profissão, seja aprendendo outro ofício ou se dedicando a outras áreas como a das artes e das ciências. E assim se mantendo, ele é aceito pelos mais jovens que se beneficiam da experiência adquirida durante anos e, ainda, ser acolhido pela sociedade como um membro útil. Manterá dessa forma a autoconfiança e a autoestima. O valor de um ser humano não se esvai com o avançar da idade. Pelo contrário, ele aumenta e serve de exemplo às pessoas que ainda não chegaram a essa etapa da vida, mas é preciso que ele se mantenha integrado à sociedade, buscando mais conhecimento enquanto ensina.
Começando de novo Em 1992, com 60 anos, já aposentada, trabalhando em casa para editoras, fui convidada a editar um Boletim empresarial, voltado para os clientes Serasa.. Evidentemente, não havia me retirado do mercado de trabalho, pois estava exercendo uma função que de alguma maneira fazia parte integrante do jornalismo, profissão que abracei em 1963, quando era ainda estudante universitária. Durante 17 anos militei na grande imprensa. Fui jornalista e até hoje o sou. Por um curto espaço de tempo me desprendi do vínculo empregatício e trabalhei como autônoma escrevendo, livros e artigos free-lancer ou fazendo traduções e revisões o que me dava grande flexibilidade. Já na terceira idade, aceitei o desafio de voltar a trabalhar fora de casa e em pouco tempo assumi a responsabilidade por todas as publicações da Serasa e projetei e criei uma revista técnica para a empresa da qual sou editora até hoje.
Convivo constantemente com os mais jovens porque o contato com eles aprimora as habilidades e a capacidade de aquisição de conhecimentos pelos mais velhos. E me atrevo a encerrar com uma frase de Kant:
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